INTRODUÇÃO

O mundo está entendendo que para ocorrer um trabalho maior em AIDS há de ter uma boa estrutura na atenção às DST.

As úlceras e infecções genitais, principalmente por DST, elevam, em muito, as chances de transmitir ou adquirir AIDS. E na verdade são muito mais freqüentes.

Vivemos um momento em que é necessário um apelo cada vez maior à educação. Antes de pensar em tratamento, vacina e tudo mais sobre AIDS, é necessário um trabalho educativo bem estruturado no que tange aos aspectos das DST, não só do ponto de vista da AIDS, mas também de potenciais agentes malignos, no caso do Papilomavirus humano(HPV), na complicação da gonorréia, complicações da Chamydia e Mycoplasma e da própria evolução dos microrganismos, com a prova insofismável de que muitas vezes não só o antibiótico resolve.

Nosso apelo, aqui, visa valorizar o trabalho educativo e acreditamos que esse trabalho deve ser múltiplo. Muitos ficam esperando que o Ministério da Saúde produza uma única cartilha, filme ou folheto. O brasil é um país de dimensões continentais; temos hábitos e palavras distintos, típicos de cada região. Por isso, deve ser feito um trabalho educativo adequado às necessidades de cada região.

Se não bastassem tais distinções, existem dentro das próprias famílias e escolas diversificações no entendimento das questões ligadas à sexualidade. Fica muito difícil falar em educação de massa, em televisão, em rádio, quando não temos em cada escola o tema sendo abordado de maneira uniforme, constante e proporcional aos apelos da realidade a que está envolvida a população.

Defendemos, hoje, que esses trabalhos devem ser realizados em níveis municipais. Para isso, nós da Universidade Federal Fluminense que temos o curso de especialização e mestrado em DST, e também a disciplina de DST para alunos de graduação, pretendemos resgatar o ensino, a dinâmica do tema para os alunos de graduação. Em Niterói, foi criada uma lei que dá competência à Secretaria de Saúde para realizar anualmente um trabalho educativo em toda a cidade. Esse trabalho é feito em conjunto com o Setor e com outros departamentos da UFF, postos de saúde, hospitais, postos de assistência médica, unidades sanitárias, clubes de serviços, empresas e com a sociedade em geral, a fim de propiciar à comunidade de Niterói um trabalho educativo amplo e diversificado.

Baseado neste trabalho, lei similar à existente em Niterói foi sancionada em 22/06/94, pelo Governador para todo o Estado do Rio de Janeiro.

Estamos nos esforçando para levar tais atividades para todo o Brasil. Em Oriximiná, Estado do Pará, também já existe tal legislação. Vários os municípios estão em processo de articulação.

Mas no geral o que nós encontramos?

Apesar de assistirmos pela televisão campanhas como o "Use camisinha" e "Camisinha previne a AIDS", quando chegamos na escola muitas diretoras e professoras sequer já viram uma camisinha. Então, que trabalho "educativo" é esse feito pela televisão se o elemento básico do processo de ensino e aprendizado, que vai participar intensamente da formação do indivíduo no primeiro e segundo graus, não conhece, não usa ou tem preconceito enorme de uma peça básica no trabalho que está sendo divulgado?

Junto a isso não é raro encontrar profissionais de saúde, por exemplos médicos, que ainda não atendem indivíduos sororreativos para HIV. Assim qual é o papel mais importante do processo de educação: sair por aí distribuindo camisinha ou, juntamente com esse momento, tentar vencer o preconceito dentro de nossa casa, que é a casa da saúde e educação?

Quando se faz um grande campanha usando várias peças de marketing, TV, rádio, out door, folhetos etc., deve-se Ter em mente que só ocorrerá um bom desdobramento para aqueles grupos que conseguem, em nível individual, satisfazer suas dúvidas ou problemas mais íntimos. Para isso, deve-se primeiro estruturar a rede de saúde e educação, a fim de atender a demanda criada pela divulgação do tema. É óbvio que essas campanhas despertam a atenção, o interesse, o desejo de conhecer mais, de se informar, de se prevenir, de se tratar. Mas será que todos conseguem respaldo para suas aflições na rede pública? E se conseguem, é com profissionais que dominam o tema, que não são preconceituosos, que entendem a sexualidade, o medo de seus clientes?

É uma ingenuidade pensar que educação se faz apenas com divulgação. Só devemos divulgar aquilo que temos para "vender". Se não temos sistemas de saúde e educação aptos para tratar de assuntos ligados à sexualidade, drogas, morte, não devemos gastar dinheiro com propaganda na televisão.

Estamos convencido de que sem quebrar o tabu, sem eliminar o preconceito do tema educar, sem vencer as barreiras da sexualidade dos indivíduos, primeiramente dentro dos sistemas de saúde e educação, dificilmente vamos conseguir um trabalho educativo mais importante, não só em DST como em qualquer outro tema. Que processo educativo poderemos proporcionar à população, se quem cria uma campanha também tem preconceito?

O nosso trabalho hoje, na Universidade Federal Fluminense, com as suas disciplinas para alunos de graduação e o plano de atividade do curso de especialização, e mestrado é tentar trazer o tema para que o primeiro grande passo seja discutir a sexualidade entre os nossos pares? Equipes de saúde e equipes de educação. Enquanto esses grupos não estiverem treinados, informados, acreditamos que vai ser muito difícil combater as DST.

Outro passo importante, além de atuar com as equipes de educação e saúde, é criar um espaço para que a família, como um todo, discuta o problema.

Devemos abastecer os pais de informações para que seus adolescentes, pré-adolescentes e crianças consigam diálogos dentro da estrutura familiar.

Pode ser ilusão pensar que apenas excelentes recursos visuais (slides, vídeos) podem sozinhos resolver o problema. Se os profissionais que assessoram essas atividades não estiverem seguros, não dominarem os aspectos biológicos, podem gerar inseguranças e profundas dúvidas nos espectadores treinados.

Outro ponto importante é ter a certeza que a imprensa, que tanto divulga esses temas, é por vezes desconhecida do assunto, e pode, mesmo inconsciente passar para o público seus medos, preconceitos, mitos e ignorância (de ignorar) sobre DST, AIDS ou sexualidade.

Devemos destacar ainda o importante papel desempenhado pela Coordenação Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde que, juntamente com inúmeras Secretarias de Saúde de Estados e Municípios, com atuantes ONGs e Universidades têm desenvolvido sólidos trabalhos no combate às DST.

PERGUNTANDO SOBRE O PROBLEMA

Estas perguntas foram feitas por pessoas que participaram de atividades em educação para a saúde executada por nossa equipe.

Relação anal causa Doença Sexualmente Transmissível?

Uma pessoa só é atingida por uma dessas doenças caso o parceiro ou parceira abrigue o germe causador em seu organismo. Ora, se uma pessoa está sadia, sem doença, não poderá causar mal algum mantendo relação sexual.

Sexo oral também transmite AIDS?

Cabe aqui a mesma resposta acima: só transmite AIDS quem é portador do HIV. Contudo, como uma pessoa pode Ter o vírus da AIDS e não saber e até mesmo não apresentar qualquer alteração no corpo é prudente manter relação (qualquer tipo) usando camisinha.

Uma pessoa pode ter relação com outra que possui uma doença e não ser acometida?

Sim, pois depende muito do fator de defesa desta pessoa. Existem trabalhos científicos mostrando que após um único encontro sexual com uma pessoa sabidamente com Sífilis, só 10% contraíram a doença. Para o herpes genital isto também é muito freqüente. Existe uma frase comum entre os médicos que serve para ilustrar bem: "tem herpes quem pode, e não quem quer". Isto mostra que o fator imunológico é importante para se contrair tais moléstias. Agora, não vale a pena correr este risco pois não é possível sabem quem será e quem não será contaminado. Assim use sempre o bom senso e proteja-se.

Alguém da família com DST representa grande perigo em casa?

Salvo os casos onde os cuidados de higiene são por demais descuidados, um componente da família não oferece grande risco aos demais. Caso ele já esteja em tratamento o perigo de contaminação é praticamente nulo, porém, na prática diária, observa-se um fato bastante interessante, que merece um comentário.

Existe uma classe de trabalhadoras que freqüentemente é marginalizada e até menosprezada pela sociedade, ou seja, a classe das empregadas domésticas. Essas pessoas convivem intimamente nas casas, arrumam as camas, cozinham, enfim participam em contato direto com toda família, principalmente crianças, estas mais expostas ao contágio. Essas funcionárias domiciliares na maioria das vezes recebem muito pouco e possuem grande dificuldade para ter acesso à educação e acompanhamento médico. Caso elas possuam relacionamento sexual sem proteção e com múltiplos parceiros poderá ocorrer algumas situações, a saber:

a) relacionamento sexual da empregada com o adolescente da família transmitindo a este uma Doença Sexualmente Transmissível

b) limpeza e troca de fraldas constantes e diárias dos bebês, e, sendo este do sexo feminino, ficam mais propensas a infecções na genitália externa (vulva), pois estas pessoas podem transportar nas unhas germes causadores de doenças, principalmente quando a infecção causa coceira.

Por isso mais do que necessário é um dever dos "patrões" prestarem esclarecimentos sobre higiene pessoal e apoio sócio-econômico-cultural para que as empregadas domésticas possam ter um controle médico periódico através, por exemplo, de um exame ginecológico anual.

Como uma mulher grávida pode saber se possui Sífilis?

Procurando um serviço de Pré-natal, onde será solicitado exame de sangue para Sífilis. Um bom acompanhamento no pré-natal inclui um teste sorológico no início da gestação e outro no final.

Um homem com DST pode apresentar impotência?

Em casos especiais onde a lesão é dolorosa ou em traumas psíquicos, este fato pode ocorrer, contudo, é pouco freqüente.

Uma pessoa pode ser afetada por mais de uma doença?

Sim. Por exemplo, a Sífilis está associada a gonorréia em aproximadamente 4% dos casos. A Tricomoníase associa-se à Gonorréia em até 13%. O Condiloma Acuminado com a Sífilis em 5%. Já tratamos alguns pacientes com até quatro doenças sexualmente transmissíveis numa mesma ocasião. Não é raro uma pessoa com AIDS ter também Sífilis em 5%. Já tratamos alguns pacientes com até quatro doenças sexualmente transmissíveis numa mesma ocasião. Não é raro uma pessoa com AIDS ter também Sífilis , Condiloma Acuminado, Herpes ou Hepatite B.

Como uma pessoa pode ter uma doença sem saber; é justo eu obrigar meu namorado ou marido a fazer o teste para Sífilis e para AIDS?

Ora, essa coisa de ser justo ou não é muito complicado. O que podemos dizer é que você deve conversar com seu parceiro e discutir com ele sobre sua ansiedade acerca da situação, ouvi-lo bem e colocar calmamente o seu ponto de vista. O passo seguinte, na nossa opinião, deve ser para que vocês procurarem um posto de Saúde ou serviço de saúde que trabalhe comas questões DST e AIDS com a finalidade de obter mais informações sobre os dados estatísticos de sua região e poder contar com um aconselhamento específico sobre os testes e decidirem juntos fazer ou não os testes sorológicos para Sífilis e para AIDS.

Como se adquire gonorréia?

A gonorréia pode ser adquirida através da relação sexual vaginal, oral ou anal, com pessoa contaminada, principalmente quando não se usa camisinha.

A gonorréia pode trazer problemas para a mulher?

Sim. Apesar de a maioria das mulheres apresentarem sintomas discretos, ou mesmo nenhum, pode ocorrer uma complicação chamada doença inflamatória pélvica (inflamação nas trompas), que pode ser uma causa importante de esterilidade (impossibilidade de ficar grávida).

Criança pode ter gonorréia?

Pode. Criança pode ter esta ou qualquer outra DST, que pode ser transmitida por abuso sexual ou até por contato com secreções, tais como com o uso de roupas íntimas de parentes com gonorréia. A pele e a mucosa das crianças são muito sensíveis e com pouca proteção, ficando suscetível a germes agressivos.

Criança tem corrimento?

Sim. Criança pode ter corrimento por vários motivos. A vagina da menina é mais desprotegida e muito mais sensível a agentes infecciosos do que a da mulher adulta. Os corrimentos, que representam as vaginites podem ocorrer por má higiene da região genital e anal; uso de roupas sintéticas e muito apertadas, infecção adquirida em abuso sexual ou através de pertences (toalhas, roupas íntimas) contaminadas.

A Sífilis se cura sozinha?

Não. A sífilis só é curada através do uso de medicação adequada. Existem entretanto períodos assintomáticos, em que não há manifestação clínica da doença, embora a doença continue evoluindo no corpo da pessoa e podendo causar sérios problemas mais tarde.

O que ocorre se a sífilis não for tratada?

Se a sífilis não for tratada pode levar a sérias complicações, como problemas no coração e vasos sangüíneos, no sistema nervoso e até mesmo levar a morte.

O herpes na boca é uma DST?

Normalmente não. Existem dois tipos de germes vírus. O tipo I, predominantemente labial e o tipo II, genital. O tipo II é responsável por pequena parcela dos casos de herpes labial.

Por que o herpes vai e volta?

O herpes vírus, uma vez instalado no organismo, lá pode permanecer por muito tempo. O vírus permanece em estado latente, podendo se ativar em diversas situações: stress, sol demais, frio demais, durante a menstruação, alimentação deficiente, durante resfriados, etc. Porém, devemos destacar que com o passar dos anos as manifestações clínicas ficam cada vez mais fracas ou com tendência a incomodas muito pouco ou quase nada.

O que é "cancro"?

Cancro quer dizer ferida. Existem duas DST que são chamadas de cancro. O cancro duro, que é indolor e se assemelha a casquinha de um machucado que é a sífilis e o cancro mole; muito doloroso e purulento (com pus), que também é conhecido como "cavalo".

Verruga no pênis é DST?

Normalmente sim. As verrugas no pênis e em toda região genital do homem ou da mulher são chamadas de condiloma acuminado e com freqüência são transmissíveis sexualmente.

Pode a mulher apresentar o HPV e o marido não?

Sim. É possível um parceiro apresentar a infecção pelo Papilomavírus humano (HPV) também chamado de Condiloma Acuminado e o outro nada apresentar. Isto provavelmente se deve a fatores de defesa do próprio corpo que impedem a instalação de alguns microrganismo, principalmente HPV e Herpes. Contudo, não vale a pena confiar apenas na defesa do corpo. É conveniente procurar auxílio médico imediato para um exame completo, assim como manter relação sexual só depois de erradicada a doença.

Como prevenir as DST?

Para prevenir as DST devemos tomar os mesmos cuidados da AIDS. É importante Ter sempre à mão um preservativo, além de evitar a multiplicidade de parceiros. Além disso, deve-se procurar o serviço médico todas vez que surgir algum problema, como ferida, íngua ou corrimento genital e mesmo para exames médicos periódicos.

A Hepatite é uma DST?

Existem vários tipos de hepatite. A mais comum, principalmente na infância, é a hepatite A, transmitida através de água e alimentos contaminados, ligada as más condições de higiene e saneamento. A hepatite B é transmitida através de sangue contaminado, transfusão, seringas e agulhas suja ou através das relações sexuais com um indivíduo contaminado, sendo portanto uma possível DST.

O que quer dizer ser soropositivo para HIV?

Quer dizer que a pessoa está contaminada com o Vírus da Imunodeficiência Adquirida Humana (HIV), e que seu organismo já produziu anticorpos contra o mesmo.

Estes anticorpos são detectados nos testes (testes positivos) e indicam a presença do vírus no organismo, não significando que o indivíduo esteja doente com AIDS, mas que pode transmitir o vírus através de relações sexuais ou contaminação por seu sangue.

O que é AIDS?

AIDS ou Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida é um conjunto de manifestações, principalmente infecções oportunistas que ocorre quando o HIV enfraquece o sistema de defesa do organismo.

Qual a diferença entre ter o HIV e ter AIDS?

O indivíduo que é HIV positivo possui o vírus em seu organismo, mas pode não apresentar nenhum sinal da doença. O indivíduo que tem AIDS, possui os sintomas da doença.

Quais os sintomas da AIDS?

Febre persistente, diarréia prolongada, lesões de pele, emagrecimento sem causa aparente, aumento de gânglios.

O que é uma infecção oportunista?

É uma infecção que na maioria das vezes a pessoa em seu estado normal de defesa não deixaria se instalar no corpo, mas uma vez com uma imunosupressão (diminuição da defesa) não é capaz de combatê-la. Assim, podemos dizer que uma pessoa sadia entrando em contato com um fungo chamado Cândida albicans em sua cavidade oral, rapidamente se defende e não deixa o fungo se instalar. Mas, se esta mesma pessoa está imonodeprimida (com pouca defesas), a Cândida ataca e faz um quadro de candidíase oral. Podería-mos dar vários outros exemplos, como tuberculose pulmonar, toxoplasmose cerebral e criptocose.

Como o vírus HIV age?

O vírus entra no corpo e ataca os glóbulos brancos que são muito importantes no sistema de defesa do organismo. Quando o vírus se ativa, se reproduz dentro de glóbulos brancos chamados linfócitos T4, levando a sua destruição. Quanto menos glóbulos brancos (linfócitos T4) a pessoa tem, mais deficiente é o seu sistema imunológico.

Como o vírus é transmitido?

Podemos dividir em 3 mecanismos;

a) transmissão sangüínea; troca de seringas por usuários de drogas injetáveis e transfusões de sangue e/ou derivados do sangue.

b) transmissão sexual; através de esperma principalmente, mas também através do sangue menstrual e secreções vaginais.

c) transmissão materno-fetal; durante a gravidez, através da placenta ou durante o trabalho de parto. Após o parto a contaminação pode ocorrer pelo leite materno.

Todo tipo de relação sexual transmite AIDS?

A relação anal, com penetração do pênis sem camisinha em um ânus de homem ou mulher, seguida de ejaculação é altamente contaminante, pois podem ocorrer micro-sangramentos na mucosa anal, área com grande capacidade de absorção. O esperma contaminado penetra através da corrente sangüínea e ocorre a contaminação.

A relação pênis-vagina sem preservativo masculino ou feminino pode tanto ser contaminante para o homem quanto para a mulher. Se algum dos parceiros possuir uma DST que cause feridas (como a Sífilis ou cancro mole) ou inflamação (como as vaginites ou uretrites), aumenta sua chance de contágio.

A relação homossexual feminina, com vulva-vulva, embora dificilmente transmita o vírus HIV, em alguns casos, principalmente com a mulher menstruada pode ser fonte de infecção.

A relação oral – boca-pênis ou boca-vagina – ainda que com risco menor, oferece possibilidades de contágio, principalmente se houver alguma ferida na boca, ou nos genitais. Havendo ejaculação, as possibilidades aumentam.

O que não transmite AIDS?

Não precisamos ter medo de contato social com um portador de HIV. O vírus não passa através de:

Cabe destacar que devemos evitar contato direto com as feridas abertas na pele, com lesões que apresentam secreções purulentas ou com fezes de uma diarréia importante. O uso da luva, água e sabão é aconselhável nestas situações.

Uma criança com HIV pode freqüentar a escola?

Sim. A criança portadora do HIV não oferece maiores riscos aos colegas e professores. A permanência da criança na escola é um direito garantido pela Constituição e referendado pelo Ministério da Educação e da Saúde através da Portaria Interministerial no. 796, de 29 de maio de 1992. Como norma universal de biosegurança não devemos entrar em contato direto com sangue, mas caso a criança portadora de HIV se machuque, devemos simplesmente seguir a rotina e colocar luva.

Criança com "sapinho" na boca pode estar com AIDS?

"Sapinho" na boca de criança não quer dizer AIDS. A quase totalidade dos recém-nascidos que apresentam sapinho na boca pode estar passando por uma fase de adaptação ao meio ambiente e provavelmente se infectaram pelo fungo no canal de parto de suas mães ou mesmo do meio ambiente. Com tratamento específico e higiene das mamas da mãe, das mamadeiras e chupetas, rapidamente se livram deste fungo. Contudo, não se deve descuidar e levar ao médico é sempre uma boa atitude.

O que fazer caso um aluno com HIV se corte na escola?

Se for necessário entrar em contato com o sangue, use luvas. Antes de fazer o curativo, lave bem o local com água e sabão e em seguida faça um curativo normal. Em seguida procure auxílio médico. Tal norma deve ser seguida com qualquer situação de acidente com corte.

E se um aluno com HIV vomitar?

A limpeza poderá ser feita com detergentes e desinfetantes. Deve-se seguir as mesmas medidas de higiene adotadas com todo aluno.

Uma pessoa pode Ter imunossupressão e não ter AIDS?

Sim. Vários tipos de canceres, leucemias, linfomas causam imunossupressão. Outras causas comuns de depressão do sistema imunológico são: aplasia de medula, uso prolongado de corticóides, quimioterapia, uso de medicações para transplantes (para evitar a rejeição do tecido de outra pessoa). As droga (cocaína, heroína, crack) de certa forma também enfraquecem as defesas orgânicas.

Todo corrimento vaginal é uma DST?

Não. Verdadeiramente muitas mulheres que apresentam corrimento vaginal não possuem doenças infecciosas. Contudo, a melhor coisa a fazer quando uma mulher tem corrimento é procurar auxílio médico. Só com o exame ginecológico e coleta de material vaginal e do colo uterino será possível fazer exames, por exemplo preventivo, e diagnosticar doenças ou até mesmo lesões mais graves.

Moça que não tem relação sexual pode fazer exame ginecológico?

Sim. É possível até coletar material do interior da vagina usando instrumentos especiais para pessoas com hímen íntegro (virgens). Alias, pode ser uma boa medida a menina após a primeira menstruação ou até antes ter uma consulta com um ginecologista para já estabelecer atenção à sua saúde sexual e reprodutiva. Conhecer seu corpo e saber com ele funciona é uma atitude de desenvolvimento.

O que significa sexo seguro? E sexo protegido?

Sexo seguro é ter relações sexuais sem acontecer trocas de secreções (masculina e feminina). Ocorre com carícias e masturbação. Sexo protegido é aquele no qual é diminuída a probalidade de haver troca de secreções, como ocorre com o uso da camisinha masculina e/ou feminina.

Noutro dia usei a camisinha feminina e ela entrou toda. Meu namorado acabou gozando dentro. Fiquei morrendo de medo de engravidar. Achei um pouco complicado e tenho receio de usar novamente.

Todo método novo pode ser complicado, contudo ler mais sobre o método pode facilitar. Quanto mais se pratica mais confiança se adquire, contudo é bom seguir sempre as instruções. Por exemplo, manter sempre uma das mãos segurando o anel externo pode evitar que ela entre na vagina. Quando a penetração vaginal se dá por trás este cuidado deve ser esquecido.

Como a camisinha feminina parece ser resistente, posso usá-la mais de uma vez?

É verdade que a camisinha feminina é bem resistente, porém, operacionalmente pode ser muito complicado lavá-la, deixar secar, colocar lubrificante e reutilizá-la.

Posso usar a camisinha feminina na relação anal?

A camisinha feminina tem um anel para ficar no fundo da vagina que dificilmente entrará corretamente no ânus. Caso se retire o anel interno até pode ser um medida super extrema caso não esteja ao alcance a camisinha masculina. Contudo, pense sério, devemos procurar manter atividade sexual sem riscos e sem medos. Tentar inovações pode gerar complicações.

Se uma pessoa tiver sexo com outra sem camisinha ou com camisinha e mais tarde ficar sabendo que essa pessoa tem o vírus HIV ou outra DST, o que fazer?

Procurar imediatamente um serviço médico, preferencialmente um Posto de Saúde que atenda DSR/AIDS. Nada de desespero. Lembre-se o organismo tem defesas. Lá chegando, informe quando e como foram suas relações. Com certeza o profissional que atender vai procurar fornecer um bom aconselhamento. Se você não se sentir segura, procure outro serviço de Saúde.

Uma vez apresentei uma ferida no pênis. Fui ao Posto de Saúde para consulta. A enfermeira e o médico conversaram bastante mas não pediram exames e foram logo dando injeção e comprimidos. Tá certo isso?

Está. Hoje estamos difundindo o conceito de abordagem sindrômica ou seja, examina-se o paciente, constata-se a lesão e imediatamente institui-se a terapêutica. Isso faz com que o paciente não fique por aí transmitindo a doença e demorando a ficar curado. Lembre-se de uma coisa: nem sempre é possível ter o resultado do exame na hora da consulta. Só vamos diminuir a incidência das DST se junto com o processo de educação em saúde conseguirmos tratar os indivíduos infectados.

Como tentar facilitar a ida do meu companheiro ao médico sem ser com brigas ou ameaças?

Com argumentos sobre o problema. Explique sobre a importância do acompanhamento e possível tratamento simultâneo. Evite acusações e coloque carinho e confiança em suas palavras. Não desista.

Quando levar minha filha ao ginecologista, só quando ela apresentar algum tipo de corrimento?

Primeiro não tente forçar nada. O diálogo e o entendimento são fundamentais. É muito comum a adolescente pensar que a mãe quer levá-la ao ginecologista para saber sobre sua possível vida sexual. Procure deixá-la a vontade. Deixe que ela expresse sua vontade. Lógico que, quando for percebido um corrimento ou outra alteração ginecológica, é imperativo a visita ao médico. Acreditamos ser uma excelente medida a visita ao ginecologista momentos antes ou depois da primeira menstruação, pois isto pode criar um ambiente facilitador para as ações de educação em saúde reprodutiva.

Tenho filhos adolescentes e não sei com iniciar a conversa sobre sexo, sobre anticoncepcional, DST, AIDS...... Como fazer?

Na verdade isto pode ser muito difícil, porém não esqueça que devemos fazer isto o mais rápido possível. Contudo, lembre-se de que não é bom fazer de qualquer maneira e com palavras rudes. Antes de tudo valorize o que eles falarem e não force a situação. Certifique-se que eles também querem conversar sobre o tema. Evite atitudes de interrogatório e procure deixar claro que você estará sempre disponível para ouvi-los e entendê-los.

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