Atualizado em 01/09/06
Perguntas e
Respostas Sobre Vacina Contra HPV
Professor Adjunto Doutor-UFF
www.uff.br/dst
Após participação
como ouvinte ou ministrando palestras e conferências em eventos
sobre o tema HPV/vacinas e em entrevistas para a mídia leiga ou especializada
colecionamos as perguntas mais freqüentes e pertinentes sobre o
tema.
As perguntas,
ora eram feitas por profissionais de saúde (principalmente médicos),
ora elaboradas por pessoas leigas, ora por jornalistas.
Aqui apresentamos
e respondemos algumas.
Acreditamos
que, com maior número de pessoas vacinadas e maior tempo de observação
será possível ganhar experiência suficiente para que essas e outras
perguntas sejam respondidas com mais clareza.
Para
complementar este texto a leitura de HPV Que Bicho É Esse?, 4a.
edição, RQV Editora, 2006 pode ser de grande valia. Para saber mais sobre o
livro veja em www.hpvquebichoeesse.com.br.
- Quantas vacinas contra HPV existem?
Resposta: Vários são os grupos pesquisando
vacina contra HPV. Porém, os estudos mais adiantados são: vacina quadrivalente
(HPV 6, 11, 16, 18) da Merck Sharp & Dohme (MSD); vacinas bivalentes
(HPV 16, 18) da Glaxo Smith Kline (GSK), Instituto Nacional do Câncer (Estados
Unidos) e Instituto Butantan (Brasil).
- De que é feita a vacina? É vírus morto? É vírus atenuado?
Resposta: A ciência médica nos últimos anos
avançou muito nas questões envolvendo a biologia molecular. O que há
trinta anos parecia impossível, hoje é coisa corriqueira nos grandes
centros de pesquisas sobre genética.
Conseguiu-se
identificar a parte principal do DNA do HPV (gene) que codifica para a
fabricação do capsídeo viral (parte que envolve o genoma do vírus). Depois,
usando-se um fungo (Sacaromices
cerevisiae), entre outros sistemas, como células de inseto, se obteve
apenas a “capa” do vírus que em testes preliminares mostrou induzir
fortemente a produção de anticorpos quando administrada em
humanos. Essa “capa” viral, sem qualquer genoma em seu interior, é chamada
de partícula semelhante a vírus (em inglês, virus like particle – VLP). Na verdade, é um pseudo-vírus. O
passo seguinte foi estabelecer a melhor quantidade de VLP e testar
em humanos na prevenção de lesões induzidas por HPV. Cabe dizer que
cada tipo viral tem a correspondente VLP para uso como vacina. Assim, uma
vacina bivalente tem duas VLP (16, 18). Já uma vacina quadrivalente
tem quatro VLP (6, 11, 16, 18).
Para que não
paire dúvidas sobre o constituinte e poder não infeccioso das VLP imagine
um mamão inteiro. Dentro haverá um monte de sementes (material genético)
que caindo em um terreno fértil poderá originar um (ou mais) mamoeiro.
Mas, se todas as sementes forem retiradas do interior do mamão, ficando
tudo oco, mesmo que esse mamão seja acondicionado em um bom terreno jamais
dali nascerá um pé de mamão.
No caso das
VLP elas imitam o HPV fazendo com que o organismo identifique tal estrutura
como um invasor e produza contra ele um mecanismo de defesa, de
proteção.
Esse sistema
é bem conhecido, seguro e usado há muito tempo com a vacina contra a hepatite
B.
Na sua fabricação
não envolve derivados de células humanas e não possui risco de causar
qualquer doença infecciosa.
- Como se dá a proteção pela vacina?
Resposta: Ainda estamos aprendendo muito com
a vacina contra HPV. Tem sido observado que após a administração, por
via intramuscular, de dose de vacina contra HPV acontece uma enorme
produção de anticorpos circulantes (no sangue periférico) e que se
mantém, em níveis elevados, durante anos.
Na instalação
da infecção pelo HPV de forma natural também existe o aparecimento
desses mesmos anticorpos. Porém, os níveis são geometricamente bem inferiores
quando comparados com os níveis pós-vacinal. Muitos pesquisadores têm
atribuído a esse fator (altíssimos níveis de anticorpos) a proteção
contra as lesões induzidas pelo HPV. Tem se falado que com essa explosão
de anticorpos é fácil para eles chegarem nos locais onde, posteriormente,
ocorra, de forma natural, a introdução do HPV e então debelar os vírus
no momento inicial da infecção. Assim, não haveria a proliferação do
HPV nos tecidos e conseqüentemente não ocorreria doença (sintomas).
Para o vírus
da hepatite B isso é o que acontece. Todavia, em outras doenças, como
HIV/Aids, embora também ocorra uma explosão de anticorpos circulantes,
esses anticorpos não são suficientes para evitar que a infecção progrida
e se torne uma grave doença.
É possível
que os altos e mantidos níveis de anticorpos seja o principal fator de
proteção. Mas, não ficaremos surpresos se existirem outros mecanismos
que, ainda, não foram desvendados.
O fato principal
é que após esquema vacinal completo contra HPV as pessoas têm apresentado
proteção contra os tipos de vírus usados em cada preparação.
Cabe, ainda,
dizer que até hoje, e já se passaram muitos anos e com o uso em milhões de
pessoas, não se conhece o verdadeiro mecanismo de proteção conferido
pela vacina para Bordetella pertussis, leia-se coqueluche.
- É por via oral ou é injeção?
Resposta: É por via intramuscular – injeção
de apenas 0,5 mL cada dose.
- Quantas doses são?
Resposta: A vacina quadrivalente contra
HPV (MSD) está sendo proposta em três doses, a saber, 0 dia, 60 dias e 180
dias. Já a vacina bivalente (GSK), também em três doses, mas sendo, 0
dia, 30 dias e 180 dias.
- Quanto tempo dura o efeito da vacina?
Resposta: Os estudos clínicos estão mostrando
que cinco anos após a administração da vacina quadrivalente contra
HPV ainda persiste a proteção contra verrugas genitais e neoplasias
intra-epiteliais do colo uterino.
- Vai ter necessidade de reforço ou dose suplementar?
Se SIM, quanto tempo depois?
Resposta: Até o momento sabe-se que a proteção,
após esquema vacinal completo (três doses) tem durado mais de cinco
anos. Existe estudo sendo conduzido no sentido de se fazer uma quarta
dose de reforço. Entretanto, será necessário esperar mais tempo para uma
resposta definitiva.
- Tem graves efeitos colaterais?
Resposta: Os resultados dos ensaios clínicos
(de todas as vacinas contra HPV) publicados em revistas internacionais
de corpo editorial rígido não apontam para esses problemas. Os efeitos adversos
mais destacados são mal estar tipo gripe e dor no local da injeção. Porém,
freqüentemente, de leve intensidade.
- Alguém já morreu pela vacina?
Resposta: Não temos conhecimento desse grave
efeito colateral até a presente data.
- A vacina contra HPV tem efeito teratogênico?
Resposta: Até a presente data não existe qualquer
relato sobre dano para o feto caso a mulher engravide no curso de esquema
vacinal contra HPV. Verdadeiramente,
a experiência é muito pequena para uma conclusão confiante. Somos de opinião
que uma pessoa que queira engravidar em seguida a administração das
doses de vacina contra HPV espere, pelo menos, um mês após a aplicação
da terceira dose. Havendo gravidez entre os intervalos das doses o médico
assistente deve ser avisado. Tentando uma correlação com outra vacina
fabricada com os mesmos princípios (partículas semelhante a vírus)
e que se possui uma vasta experiência, a vacina contra hepatite B, o
esperado é que nada de mal ocorra para o bebê. Hoje temos confiança em vacinar
contra hepatite B mulheres grávidas. Todavia, como as infecções não
são idênticas, o correto, para nós, é evitar vacinação contra HPV em
mulheres grávidas. Pelo menos até que tudo fique bem documentado. E isto pode
levar anos.
- Será que tomando vacina contra uns tipos pode aparecer
resistência para outros tipos de HPV como ocorre nos casos de resistência
aos antibióticos?
Resposta: Não é comum que vacinas selecionem
ou induzam o aparecimento de espécimes resistentes como acontece
freqüentemente com antibióticos e quimioterápicos antiinfecciosos.
Se o produto fosse uma droga antiviral isso teria chance de acontecer.
Como acontece no caso da terapia antiretroviral para o HIV.
- Tem reação cruzada (imunogenicidade) com outros
tipos de HPV? Ou seja, tomando vacina contra uns tipos fica também protegida
para outros?
Resposta: Os estudos estão mostrando aumento
significativo nos níveis de anticorpos de alguns tipos de HPV geneticamente
bem próximos aos empregados em cada vacina. Assim, começa-se a acreditar
que pode haver imunidade cruzada para um ou dois tipos apenas de HPV.
Cabe, entretanto, dizer que esses aumentos nas taxas de anticorpos
valem para um ou dois tipos virais de cada classificação: alto grau (16,
18) ou baixo grau (6, 11). Todavia, os estudos não têm demonstrado que tomando
uma vacina contra HPV 16, 18 (SIL/NIC) ter-se-á proteção para os HPV 6, 11
(condilomas acuminados).
- Os veículos e adjuvantes das vacinas possuem papéis
relevantes na proteção contra as doenças?
Resposta: Não podemos definir, hoje, que os
produtos usados como adjuvantes nas vacinas contra HPV têm algum papel
diferente de apenas ser um adjuvante. O que devemos lembrar é que o principal
de uma vacina é o antígeno que serve como imunizante. No caso aqui, as partículas
semelhantes a vírus. Vale lembrar que os placebos (soluções inócuas
que servem de controle para os testes de eficácia das vacinas) são os
próprios adjuvantes usados nas vacinas. E nesses grupos não se têm observado
qualquer efeito protetor. Por outro lado, devemos esperar que algum estudo
confirme ou não se um determinado adjuvante de uma vacina potencializa
o efeito imunizante da vacina contra HPV.
- Quem deve ser vacinado?
Resposta: As pesquisas clínicas envolvendo
grupos com vacina e grupos com placebo publicadas até agora revelam
resultados de vacinação em mulheres de 15 a 25 anos de idade.
Houve, por
outro lado, pesquisa onde o objetivo era saber a imunogenicidade
(produção de resposta imune) em meninos e meninas de 9 a 15 anos. Neste
estudo observou-se que os meninos apresentaram pico de anticorpos
maiores que as meninas. E mais, quanto menor a idade maior foi o nível de produção
de anticorpos.
Por tais motivos,
o pedido de licença de comercialização da vacina foi feito para pessoas
de 9 anos de idade ou mais.
As pesquisas
clínicas com o objetivo de avaliar proteção contra doenças (condiloma
acuminado-verruga genital e neoplasia intra-epitelial do colo uterino)
que já foram concluídas e publicadas em revistas científicas são com
pessoas de 15 a 25 anos de idade.
Em 8 de
junho de 2006 a agência norte-americana FDA (Food and Drugs Administration) deu parecer favorável ao pedido
de liberação da vacina quadrivalente contra HPV feito pela MSD. Quer
dizer: aprovaram a vacina quadrivalente contra HPV 6, 11, 16, 18 para
aplicação em pessoas do sexo feminino na faixa etária de 9 a 26 anos.
Este parecer serve para a comercialização nos Estados Unidos. O órgão
brasileiro similar ao FDA, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância
Sanitária) em 28/08/2006 aprovou a vacina quadrivalente da MSD para uso em
meninas e mulheres com 9 a 26 anos de idade.
A vacina
quadrivalente contra HPV já foi aprovada, também, no México, na Austrália
e no Canadá.
- Qual é o nome da vacina aprovada?
Resposta: O nome internacional da vacina da
MSD é Gardasil® (inglês: gard de guardião e sil de lesão
intra-epitelial escamosa). Todavia, a legislação brasileira, para
vacinas, não permite a comercialização com nome de marca, mas com a
função da vacina. Assim, nesse caso, no Brasil, o rótulo terá que constar:
Vacina Quadrivalente Recombinante contra HPV 6, 11, 16, 18.
Vale, ainda,
adiantar o nome internacional da vacina bivalente contra HPV 16, 18
da GSK que é Cervarix® e que na Europa a vacina quadrivalente recombinante
contra HPV 6, 11, 16, 18 da MSD tem o nome de Silgard®.
- Como saber se a vacina pegou?
Resposta: Ainda não sabemos como responder.
Como não existem comercialmente os reagentes e nem as metodologias
disponíveis para uso na prática médica não temos como dosar as taxas de
anticorpos. Mas, podemos afirmar que em todos os estudos as pessoas vacinadas
tiveram altas taxas de produção de anticorpos.
- É necessário fazer a pesquisa de HPV antes de tomar a
vacina?
Resposta: Com os conhecimentos atuais esse
procedimento não está sendo usado. Vale, ainda, dizer que, também, não é
necessário o exame prévio de Papanicolaou para as adolescentes ou mulheres
sem atividade sexual que decidirem fazer uso da vacina contra HPV.
- Uma pessoa que já teve SIL/NIC pode tomar a vacina?
Resposta: Como sabemos, hoje, que lesão intraepitelial
escamosa do colo uterino (SIL) ou neoplasia intra-epitelial cervical
(NIC) tem a participação de HPV é possível, inicialmente, imaginar
que quem teve tal problema não terá benefício se receber uma vacina
contra HPV. Entretanto, sabemos, também, que, muitas vezes, apenas um
tipo viral está envolvido nesses problemas. Assim, uma vez que as vacinas
em estudos possuem dois (GSK, INC, Butantan) ou quatro (MSD) tipos de HPV
uma proteção contra os outros tipos não envolvidos na primeira infecção
poderá ser benéfica para a pessoa. No caso específico da vacina quadrivalente,
como as NIC/SIL possuem curso bem distintos das lesões de verrugas genitais,
também conhecidos de condiloma acuminado a proteção mais ampla é
esperada.
É correto,
entretanto, que se diga que em várias situações mais de um tipo viral
está envolvido nos casos de NIC.
Resumindo,
de alguma forma, mesmo que menor é esperado que uma pessoa com passado
de NIC/SIL tenha alguma proteção recebendo vacina contra HPV. Não conhecemos
estudos envolvendo tais situações, mas o raciocínio clínico e lógico
indica para algum benefício na vacinação, principalmente para a vacina
quadrivalente.
- Quem já teve verruguinha/condiloma acuminado no
genital pode tomar a vacina?
Resposta: Aplicam-se aqui as mesmas explicações
da resposta anterior.
- Quem teve exame positivo para HPV pode tomar a vacina?
Resposta: Novamente devemos aplicar nesta
resposta o mesmo raciocínio das duas perguntas anteriores. Ter tido um
exame positivo para um tipo de HPV não traduz que a pessoa está ou vai ter
as lesões causadas pelo HPV. Pode, o que é freqüente, ser apenas uma positividade
transitória. Ou seja, a pessoa entrou em contato com o vírus, mas o sistema
imune, sozinho, conseguiu debelar a infecção. Como as vacinas possuem
mais de um tipo viral haverá, de rotina, o desenvolvimento de proteção
para os tipos de HPV não envolvidos no exame positivo.
Porém, não
podemos omitir que os estudos recentes publicados sobre vacina contra HPV
(monovalente, bivalente ou quadrivalente) foram com pessoas com exames prévios
negativos, tanto para DNA-HPV como para anticorpos contra HPV.
- Alguém teve outro tipo de neoplasia/câncer causado
por HPV em outra área do corpo que não a genital mesmo tomando vacina contra
HPV?
Resposta: Pelo que sabemos não existe relato
de câncer causado por HPV em área extragenital em pessoa que fez uso de
vacina contra HPV.
- Como uma pessoa pode saber se tem anticorpos contra o
HPV?
Resposta: Ainda não existem, de forma comercial
e rotineira, esses exames para uso na prática médica. Os pesquisadores
usam a dosagem de anticorpos em avançados centros de pesquisa e apenas
em indivíduos voluntários que participam de pesquisas em vacinas
contra HPV.
-
Após ser vacinada contra HPV a pessoa pode transar sem preservativo?
Resposta:
Uma
vacina protege contra o agente infeccioso específico. Assim, uma pessoa
vacinada contra alguns tipos de HPV ficará protegida contra as doenças
causadas pelos tipos virais da vacina. Quem receber vacina bivalente
contra HPV 16 e 18 ficará imunizada contra esses vírus e suas patologias
(neoplasias intra-epiteliais). Uma pessoa que receber vacina quadrivalente
contra HPV 6, 11, 16 e 18 terá uma proteção maior. Pois ficará protegida
contra doenças mais comuns dos HPV 6 e 11 (condiloma acuminado – verruga
genital) e também dos HPV 16 e 18 (neoplasias intra-epiteliais). O uso de
preservativo (masculino ou feminino) terá ação contra outras doenças
de transmissão sexual que ainda não possuem vacina, como HIV, herpes genital,
clamídia, sífilis...
- Havendo grande aceitação na aplicação da vacina
contra HPV será possível imaginar que, no futuro, os casos de câncer de
colo de útero aumentem muito à custa de outros tipos de HPV que não estão
nas vacinas e porque, também, as pessoas vacinadas vão perder o medo e
ter mais relações desprotegidas?
Resposta: Não acreditamos que isso se torne
uma verdade. Dito assim pode parecer uma proposta negativista ao avanço
que as vacinas causam no bem estar da humanidade.
Na história
das vacinas em humanos não conseguimos recuperar relatos similares.
Não aconteceu isso com a poliomielite, varíola, raiva, rubéola, hepatite
A, hepatite B, tétano, coqueluche, difteria, meningococo C,
pneumococo...
Pelo contrário,
a população que usa de proteção das vacinas acaba tendo mais entendimento
dos problemas e agregam mais valores de proteção para a sua saúde e de
seus familiares. Não é fato rotineiro uma pessoa tomar vacina contra hepatite
A e sair por aí tomando qualquer água ou banhando-se em águas sujas.
- Está sendo muito falado de estudos em mulheres. Se
realmente é uma DST, os homens não serão vacinados?
Resposta: Esperamos que um dia a vacina contra
HPV também seja aprovada para uso em homens. Ainda não terminaram os ensaios
clínicos envolvendo pessoas do sexo masculino para que a pergunta
seja respondida de forma convincente. Queremos crer que em mais um ou dois
anos teremos uma boa resposta sobre a vacinação em homens, especialmente
para os adolescentes.
- Com quantos anos deve-se iniciar o exame de preventivo?
Resposta: De uma maneira geral, o exame de Papanicolaou
está indicado para o rastreio do câncer de colo uterino três anos depois
de iniciada a vida sexual ou com 25 anos de idade. O que acontecer
primeiro. Todavia, muitos médicos e muitas mulheres preferem ter um
exame de base assim que existir coito vaginal. Isso pode levar um vínculo
maior da mulher com o sistema de saúde, pois outras situações podem ocorrer
como, DST/HIV, gravidez não planejada, disfunção sexual...
- Como será o rastreio do câncer do colo uterino depois
que uma pessoa tomar a vacina contra HPV? Qual o tempo de intervalo?
Será necessário continuar fazendo exame preventivo?
Resposta: Ainda não se pode ter plena certeza
qual será o modelo ideal para todas as populações. O tempo e as pesquisas
vão, no futuro, responder melhor essa pergunta. Entretanto, somos de
opinião que, por enquanto, não se deve mudar o esquema de exame de Papanicolaou,
ou seja, fazer anualmente. Com dois exames negativos em um intervalo de
um ano, o exame pode ser repetido a cada dois anos, pelo menos.
Por outro
lado, é pertinente dizer que o FDA (EUA) já aprovou o teste de pesquisa
de HPV por técnica de biologia molecular (captura híbrida) para ser
usado em mulheres com mais de 30 anos com a visão de combater o problema
de câncer de colo de útero.
No Brasil,
os setores específicos do Ministério da Saúde ainda não fizeram propostas
de modificação no rastreio do câncer de colo uterino.
- Qual será o preço da vacina?
Resposta: Como o produto acabou de ser liberado
pela ANVISA (28/08/2006) só em alguns meses é que teremos a sua
comercialização. Assim, o preço final para o consumidor brasileiro ainda não
está anunciado.
Todavia,
devemos destacar que o preço de um produto farmacêutico está ligado
ao custo de desenvolvimento (pesquisa), benefício esperado e atingido,
oferta e procura, políticas públicas de saúde entre outros.
Nos Estados
Unidos da América, onde a vacina já está sendo vendida o preço aproximado
é de U$ 120,00 cada uma das três doses. Vamos acreditar que as empresas envolvidas,
junto com os gestores públicos, com a sociedade civil organizada,
uma vez que o poder aquisitivo no Brasil é bem menor que nos EUA, consigam
fazer com que o preço aqui seja significativamente menor.
- Será dada pelo Governo como a da gripe, Rotavírus e
poliomielite, entre outras?
Resposta: Poderia ser uma atitude ousada nesta
fase. Queremos crer que assim que os números de pessoas usando a vacina,
ficando protegidas, diminuindo os casos de câncer causados pelos
HPV, diminuindo o número de casos de verrugas genitais e os substanciais
gastos envolvidos no diagnóstico e tratamento dessas doenças os governos
se sensibilizarão para as questões de saúde pública e poderão, como
fizeram com outras vacinas, como hepatite B, disponibilizar uma vacina
contra HPV na rede básica de saúde. Evidente que será necessário, uma
vez que a quantidade comprada será de milhões de doses, um bom ajuste de
preço.
- Vai ter vacina contra HPV associada contra outra
doença?
Resposta: Acreditamos que sim. Pois, já existe
estudo sendo conduzido envolvendo as vacinas contra HPV e contra hepatite
B administradas simultaneamente.
Num ensaio
de futurismo associado a grande otimismo e profundo desejo é nossa
opinião de que estamos assistindo ao nascimento de um produto que,
em breve tempo poderá ter associação multi-viral anti-DST. Sonhamos com
uma vacina envolvendo antígenos imunógenos contra hepatite B,
HPV, HIV e HSV (herpes vírus). O nome bem que poderia ser SexVax ou VaxSex.
Como, no Brasil, as vacinas não podem ter nome de marca, por aqui será chamada,
carinhosamente, de tetrasexviral.
Também acreditamos
que junto com a pílula anticoncepcional e o Viagra® a vacina contra
HPV será um importante marco para a sexualidade humana.
- Fala-se tanto de HPV, mas qual é o tamanho do problema?
Resposta: É muito grande. Acredita-se que cerca
de 50% da população sexualmente ativa em algum momento da vida cruza
com o HPV. Estima-se que: 30 milhões de pessoas, em todo o mundo, tenham lesões
de verruga genital/condiloma acuminado; 10 milhões de pessoas apresentem
lesões intra-epiteliais de alto grau em colo uterino e que ocorrem no mundo
500 mil casos de câncer de colo uterino anualmente.
No Brasil,
o Instituto Nacional do Câncer (INCA), informa a ocorrência de 18.000
casos novos a cada ano de câncer de colo uterino. E que, cerca de 4.000 mulheres
morrem a cada ano vítimas de câncer de colo de útero.
Sabe-se que
11% de todos os casos de cânceres que acometem as mulheres são causados
por HPV. Pois, além de lesões em colo uterino (os principais) os cânceres
por HPV podem ser em vulva, vagina, ânus, orofaringe, cavidade bucal e
laringe.
Cabe, ainda,
dizer que embora não seja nem se transforme em doença maligna os condilomas
acuminados causam, por vezes, altos custos para tratamento, falta ao
trabalho (absenteísmo), seqüelas locais (por conta de cirurgias, cauterizações)
e importantes traumas emocionais, entre outros. Isso tudo é agravado
porque em muitos casos a recidiva é grande fazendo com que a pessoa
com quadro de verruga genital tem que fazer mais de dez visitas ao médico.